Próximo fim de semana...
Filho coloca desafio: Vamos até à Batalha, de mota!
Pai responde: Não sei se a minha mota aguenta...
Filho: Vamos devagar, em passeio...
Feitas as contas, são 125Km para cada lado. Um em scooter, uma Sym, 125cc. Outro, em mota Yamaha YBR 125. Devagar, de máquina fotográfica em punho, passeio por terras lusas. Estradas nacionais, sem portagens, com paragens em várias "capelinhas" ao longo da estrada. Sem patrocínios mas com uma vontade de mostrar o que as "máquinas" valem. 250 Km no total. E, a visita à exposição de motas, na Batalha. Talvez se juntem ainda mais uns amigos, também "malucos" das duas rodas.
-Aceito o desafio! Se não chover, claro.
E, previsto para o próximo fim de semana, um passeio de Lisboa até à Batalha em mota. Com a promessa que, se se vier a realizar, haverá estórias para contar... com fotografias.

Depois de uma noite agitada, e agitada porque as necessidades fisiológicas de um acamado podem originar situações bastante complexas, o dia que se esperava calmo teve pouco dessa propriedade.
Estava eu a dizer que a noite fora agitada. E que se devia a necessidades fisiológicas da pessoa acamada. Não vou entrar em pormenores mas imaginem que cerca da uma hora da manhã se veêm na necessidade de dar um banho completo a uma pessoa acamada, substituir a roupa toda, desde a coberta da cama até ao lençol de baixo, lavar todo o colchão e desinfectá-lo com desinfectante, voltar a fazer a cama, vestir a pessoa toda, mudar um penso complicado para tratar uma escara "feia" que criou no hospital e ainda lavar todo o chão do quarto porque "tudo transbordou"... e acabar a tarefa às três horas da manhã deixando uma "montanha" de roupa para lavar... com urgência.
Depois, hoje previa que o dia fosse calmo. Calmo pelo menos quando comparado com este episódio. E até foi parte do dia. Aproveitei para ir dar uma volta com o filho e experimentar a mota. Chegámos a casa cerca das quatro horas da tarde e as previsões apontavam para uma tarde calma. Pensava eu que iria poder descansar um pouco e o filho previa ir dar uma volta com a... não, não era com a mota.
Mas a minha mulher chegou perto de mim e as notícias que me trazia não eram as melhores: a máquina da roupa... não funciona...
É sempre assim. Quando mais precisamos, falha sempre. Fui direito à máquina e experimentei. Fazia algumas coisas e outras não. Fundamentalmente, não lavava. Ainda a despejei, verifiquei filtro, voltei a ligá-la e... nada.
-Está... morta ou quase!
A minha mulher desesperava. Quilos e quilos de roupa suja, tremendamente suja diga-se, e sem máquina. Que fazer?
Mandar reparar? Só na próxima semana e se tiver a sorte de arranjar um técnico. E depois, quando a entregariam, isto suposto que tinha arranjo. Poderia ser "apenas" o programador mas também podia ser um motor novo. A opção rápida e segura é... comprar uma nova. Pronto, despesa já iamos ter. Reparação ou nova, a conta ia doer sempre. Mas, comprar ao fim da tarde de um sábado, é o mesmo que dizer que só a teria na próxima semana.
-Ou vou já ver o que há e para quando ou então só na segunda-feira... - disse à mulher.
E, enquanto ela pesquisava na internet preços e máquinas, já eu vestira o casaco e pusera o capacete debaixo do braço.
-Já venho! Vou ali ver o que há...
E saí. Saí, direitinho a uma loja que já conheço. Entrei na loja e, o vendedor que estava a descansar devido à falta de clientes, veio logo ter comigo.
-Preciso de uma máquina de lavar roupa, quero saber do que tem, na melhor relação preço qualidade, prazos de entrega e instalação e retirada da máquina antiga. - isto dito assim de rajada e sem dar muito tempo a outra conversa.
O vendedor mostrou-me várias máquinas, desde a mais barata até à mais cara. Fixou-se num modelo de 8kg, Classe A+++, 1400 rpm, programação inteligente e... um preço acima do que eu desejava.
-E entrega? Quando? - perguntei.
-Se for um modelo que tenhamos aqui,... ainda hoje, se for perto daqui. Outros modelos, só na próxima semana...
Mostrou-me outro modelo que me interessou. 7Kg, classe A++, 1200 rpm, não tão inteligente como a outra mas... com preço mais dentro do previsto.
-Pois... - disse o vendedor - uma boa máquina também mas, não temos no momento. Só para a semana... Se quer levar aquela, ainda lhe tiro qualquer coisa... faço-lhe xxx.
-E,... entrega hoje, monta a máquina e retira a velha?
-Sim...
-Um minuto...! - peguei no télélé, liguei para a mulher e disse resumidamente que se queria máquina muito boa e hoje em casa, pagava caro. Se quisesse máquina boa e em casa na próxima semana, pagava caro mas não tanto.
-O que tu achas? Achas que vale? - pergunta ela, a pergunta sacramental de quem descarta a responsabilidade e a envia para o campo do adversário.
-Se não valesse achas que estava aqui a gastar o meu tempo a explicar-te? - resposta nº xx quando queremos despachar o assunto.
-Então... trás.
Pronto, estava já esclarecido.
-Quando a vão levar? Esta!
-É só carregar ali na camioneta e vamos já para lá...
-Carreguem!
Foi apenas acertar as contas, pagar e ficar com a factura no bolso. Saí e fui para casa. Cinco minutos depois de eu chegar, estavam a tocar-me à campaínha da porta.
Em pouco tempo já tinha a nova máquina colocada, ligada, e pronta a funcionar. A velha máquina já tinha seguido caminho e... pronto, meia tarefa concluída. Agora... só falta ler o manual de instruções e pô-la a trabalhar. Seriam aí umas seis e meia da tarde.
Feitas as contas, não me lembro de ter concluído uma compra com entrega em tão pouco tempo. Entre o momento que saí de casa e o momento que a máquina estava pronta e instalada em casa, não demorou mais de uma hora e meia. Até a mulher ficou pasmada.
-Nunca pensei... - dizia ela.
-Nunca acreditas em mim. Se tivesses ido comigo, a esta hora ainda lá estávamos a discutir se o botão devia girar para a direita ou se para a esquerda. Assim... tens aqui uma com botões... de empurrar...
Já sabes como sou. "TU QUER MOTA? EU FALO E TU TEM." "TU QUER MÁQUINA? EU FALO E TU TEM." "TU QUER... O QUÊ? EU NÃO FALO E TU... TÁ LIXADA..."![]()
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Mas... ele há dias que são para esquecer mesmo... excepto em casos em que tudo até se resolve melhor do que esperamos...
Pai e filho. Duas motas. Um dia de sol, fresco mas convidativo a um passeio. Uma mota para experimentar.
Assim se justifica um passeio a dois.
E, para a posteridade... a primeira voltinha. De pai e filho!!!
E as respectivas... "motinhas", claro...

Depois de quase um mês na oficina a reparar de um defeito que trazia, depois de muitas idas à oficina e ouvir sempre a mesma desculpa, que o fornecedor não tinha peças, depois de um mês sem a minha scooter porque a emprestei ao filho, depois de um mês a usar o carro para algumas deslocações e os transportes públicos para outras dentro da cidade, depois de um mês a ouvir os lamentos do meu filho e a minha mulher,... passei-me.
Peguei no telefone e falei para o vendedor, não para a oficina. Com a minha habitual educação coloquei-lhe duas opções: mota ou resolução da venda? Fico a aguardar mensagem no meu telemóvel.
Menos de 24 horas depois, recebo mensagem da oficina: "mota pronta. Pode levantar"!
Meia-hora depois estava na oficina com o meu filho.
-Venho levantar a mota XX! Está em condições? Alguma coisa a pagar ou está tudo coberto com garantia de venda?
-Tudo coberto. Pode seguir e se tiver algum problema venha logo cá... - disse o funcionário com uma "vénia e um sorriso rasgado".
Ora bem, é assim mesmo que gosto de trabalhar. Sem pressões, sem stresses, sem arrelias... se bem que por vezes seja preciso avivar algumas memórias...
E, as "meninas" ali estão já na rua, "dormindo" lado a lado, aguardando que pai e filho decidam, durante o fim de semana, arranjar umas horitas livres para irem dar uma volta com as "máquinas", apanharem com o ar fresco nas "ventas", queimarem uns quilómetros e, sobretudo, experimentar a ver se está tudo como deve ser...
Finalmente, elas estão aí...
Não são estas mas... são gémeas destas...


Nos hospitais, para quem como eu foi obrigado a idas constantes, a percorrer corredores cheios de macas com doentes, sós, acaba por se aperceber que existem muitos casos de solidão. Principalmente idosos, estes a maior parte do tempo sem uma visita sequer. Eu até compreendo que os tempos não estão fáceis e não é viável deixar de ir trabalhar para se visitar um amigo ou familiar. Mas constrange ver aqueles olhares perdidos ali deitados, olhando para a porta cada vez que ela se abre como se arriscassem ser agora a hora de terem ali alguém para si.
Entre episódios que acabamos por assistir há os que nos afectam mais e os que nos afectam menos. Quando de alguma forma nos tornamos protagonistas desses episódios, acabamos por ficar afectados, pensativos.
Vem o caso a um episódio que se passou à hora de almoço, precisamente no último dia que tive de ir ao hospital dar o almoço à minha sogra. Acabara de estar a falar com a médica responsável e de acertarmos os pontos relativos à alta hospitalar e transporte. Vinha assim, sorridente, contente comigo próprio. Entrei no quarto e, penso que será lógico, o meu comportamento foi de acarinhar a minha sogra, sussurar-lhe ao ouvido que "íamos finalmente para casa", enfim, palavras calmas a que ela reage instintivamente embora eu saiba que aquelas palavras apenas teriam significado para mim. O doente da cama ao lado, o sr.A, entrara uns dias antes. Normalmente sem ninguém, sem visitas, pessoa de idade e com dificuldades em percebermos o que ele dizia. Seguia-me atentamente com os olhos. Ainda pouco antes, ao entrar, perguntara:
-Então, sr. A..., como está? Sente-se melhor?
A resposta foi um "HUMMM" prolongado e um encolher de ombros acompanhado de uma expressão de quem estava ali e aquilo não andava nem para um lado nem para o outro.
Passado este início, vieram trazer os tabuleiros com os almoços. Começei a preparar as coisas para dar o almoço à minha sogra e, nesse dia, pelo início das coisas, aquilo ia demorar. Calma, muita paciência, um pouco de cada vez e, saber esperar. Portanto, entre cada colher havia que esperar uma "eternidade".
Vieram trazer o tabuleiro também para o sr.A. e para a outra doente. Encaixaram a plataforma na cadeira do sr.A e colocaram o tabuleiro em cima. A auxiliar preparou as coisas e peruntou:
-Então, sr. A, quer que lhe dê o almoço?
A resposta veio clara, perceptível de tal forma que nunca o ouvira pronunciar tão bem.
-Não, o meu filho dá-me...
-Sr. A, está cá o seu filho? Onde?- perguntou surpreendida a auxiliar
-Está... - e apontava com a mão para mim.
Fez-se ali um silêncio. O olhar dele agora virado para mim como se me reconhecesse.
-Sr. A...- disse-lhe a auxiliar- ...aquele senhor,... não é o seu filho, pois não? - o olhar dele pareceu perdeu-se. Ficou a olhar para mim como se ficasse na dúvida.
A auxiliar voltou a reatar conversa:
-Sr A, tem filhos?
-Quatro...
E a conversa ficou por ali. Ele até consegue comer sózinho. Continuei a tentar dar mais uma colher de comer à minha sogra.
A certa altura, o sr.A virou-se para mim e pediu, assim num tom que é difícil de descrever mas que se assemelhava a uma quase súplica:
-Dás-me o comer?
-Sr A, quer que lhe dê o almoço? Ó homem, lá por isso dou. Vamos aqui fazer um jogo. Dou uma colher a um e depois dou uma colher ao outro. Pode ser? Vamos lá então a isso...
E comecei por lhe dar a provar a sopa.
-Prove só, primeiro. Veja se está quente demais...- e ele provou.
-Está boa. - e comecei a dar-lhe a colher cheia.
-Vamos aqui alternar este caldo com o empadão? - era um empadão de arroz e carne, um "made to hospital" típico. E levei-lhe à boca uma colher de empadão.
-Tens jeito... - disse.
Ri-me a bom rir.
-Então tenho jeito é? Sr. A, isto é já muita prática... -disse-lhe a rir o que arrancou também um sorriso nele.- Bem, agora vou ali dar mais uma colher e já cá venho. Pode ser?
E voltei à tarefa. Umas idas e vindas e lá fui dando comer ora a um, ora a outro. A rapariga que estava na outra cama sorria.
-É,... - disse-lhe - isto vai, dando. Colher a um, colher a outro...
A dada altura, o sr.A já estava a comer sózinho. Com alguma dificuldade mas lá ia dando conta do recado. Ainda me pediu para lhe pôr água no copo e, nada mais. Parecia estar mais feliz, mais desenvolto.
-Sr A, se precisar de ajuda diga. Isto tem é de ser aqui bem dividido... - e ele sorria. Pelo menos sorria...
Entretanto ele acabou e recolheram o tabuleiro, enquanto eu continuava a minha tarefa que hoje se adivinhava ficar para bem tarde. Mas, tinha tempo e lá estive até conseguir que ela comesse o suficiente para eu achar que ficaria mínimamente bem alimentada. Isto custou-me que só consegui eu, almoçar, cerca das quatro e meia da tarde e hoje sim, quase que estava na disposição de comer o resto daquele empadão de carne que, com a fome que estava a sentir, até já me parecia apetecível...
Regressei a casa e não conseguia deixar de pensar no caso do sr.A. Ali, só, sem alguém que lhe fizesse alguma companhia, assistindo a alguém, na cama ao lado, a ter constantemente quem a apoiasse, acarinhasse, fizesse companhia. Deve ser doloroso. Até fiquei de crer que tivesse feito aquilo para ter alguma atenção. Não que ofenda, de modo algum. Chocou-me talvez quando ele olhou para mim e parecia convicto que eu era o filho dele e nessa altura tive que lhe virar costas para não demostrar as minhas fraquezas. Mas, de resto, tudo bem. Se podia, fiz o que podia. Fiquei contente pelo facto de o ver depois mais bem disposto e acabar por se tornar independente no resto do almoço.
A solidão também mata. E, por vezes basta tão pouco para se quebrar essa solidão. Não será preciso serem nossos familiares porque, para quem está só, qualquer palavra amiga, venha de quem vier, será sempre uma forma de arrancar alguém desse isolamento.
E hoje, já não fui ao hospital. Espero que o sr.A, agora que deixa de me ver ali diáriamente, não se sinta de novo tão só...
Hoje, como tem sido hábito neste últimos tempos, desloquei-me ao hospital. Não por mim mas porque lá vou dar o almoço à minha sogra. Já pareço fazer parte da casa pois todos já me conhecem, pelo menos de me verem passar ali pelos corredores. As ajudantes e enfermeiras já não estranham a minha visita diária e os pedidos que faço são logo atendidos. Seja porque preciso de um babete de papel ou uma seringa alimentar ou até, como hoje, que pedi uma máscara de protecção. Pois, fruto de algo que não sei explicar, se uma constipação algo estranha ou até de um possível vírus já contraído no hospital, hoje, tive de pedir uma máscara para não andar ali a poluir o ambiente. Sem problemas de maior por aqui que uma forte tosse e muita expectoração, nada que recomende, para já, a atenção de um médico.
E, estava eu, hoje, calmamente a dar o almoço, colher a colher, lentamente, alternando cada colherada de comida com a retirada e colocação do oxigénio, aguardando que cada porção fosse engolida com calma para evitar qualquer aspiração de comida e consequente ataque de tosse. As camas, três, separadas pelas cortinas respectivas e neste caso, fechada para a cama que estava ao lado. A razão prendia-se com alguns tratamentos de enfermagem que estavam a prestar à internada. Apenas me apercebia de partes da conversa até porque estava concentrado na minha missão. A certa altura, ouvi um baque forte, de algo que tombara. Não me apercebi no imediato. Mas, ao espreitar sobre a cama, reparei numas pernas estendidas no chão...
Oh diabo, que aconteceu ali? De um pulo parei de dar o comer e dei a volta à cama. No chão, desmaiada, uma visita e familiar da doente do lado que não resistira, talvez, ao assistir do trabalho da enfermeira. A enfermeira, também ela, atrapalhada, com uma doente em serviço de enfermagem e... uma visita estatelada no chão, não tinha por onde agir. Acabámos por chegar quase em simultâneo e logo, sob indicação da enfermeira, lhe colocámos as pernas a um nível superior ao da cabeça. Entretanto, aos poucos, retomou a consciência, muito atrapalhada sem se aperceber do que tinha acontecido, espantada e a olhar para nós com um ar incrédulo. Deixámo-la recuperar mais um pouco, deixando-a deitada na mesma posição e só depois a sentámos, lentamente, no chão. Quando olhei para o lado, parecia que já toda a equipa médica do andar já ali estava. Impressionante que, em segundos, não sei bem quantos pois não me apercebi, estava ali a médica de serviço, várias enfermeiras e pessoal auxiliar. De pronto lhe foi medida a tensão e a médica de serviço fez-lhe um rápido exame e consulta de historial clínico de episódios anteriores. Logo a recomendou que fosse à urgência se assim o desejasse, onde seriam feitos alguns exames ou que se dirigisse à medica de família a fim de fazer um exame mais completo. Um saco de gelo para o "galo" na cabeça, consequências de uma queda sem consequências de maior, no imediato e mais não foi necessário.
E, após este incidente, tudo voltou à normalidade. Eu voltei à minha missão e durante o resto do tempo, a conversa foi-se desanuviando, com alguns gracejos sobre a situação ocorrida acabando, afinal, tudo a rir com o incidente.
Bem que estou preparado para algumas eventualidades. Não legalmente mas por formações várias, sei actuar em algumas situações. Tenho o sangue frio necessário e alguns conhecimentos mínimos de socorrismo. Felizmente, até hoje, nunca precisei de fazer uso delas. E, sempre desejei nunca ter de fazer uso delas. Mas, nunca me ocorreu que viessem a ser necessárias dentro de uma enfermaria de um hospital...
Bem, de salientar a prontidão do pessoal ali de serviço e da avaliação e encaminhamento do caso pela médica de serviço.
Há episódios que nunca esperamos que ocorram... connosco. Sobretudo num hospital...
Que caminho?

Ai cansa, cansa...
O tempo fica escasso para atender a todas as solicitações que pretendemos dar seguimento. A Fé continua a manter-se já que, entre as duas linhas, a situação se mantém. Entre dias melhores e piores, resiste-se, luta-se, conta-se por vitórias cada minuto que passa, vamos dando o melhor possível.
Do outro lado, de novo a família se viu reduzida temporáriamente. Os quatro lugares à mesa voltaram a ser apenas três e mais uma vez, em mais uma das suas idas, o filhote voltou a partir, por mais uns meses, deixando por aqui mais um vazio.
Agora e, talvez um pouco para esquecer todas as outras preocupações, solto-me num esforço para me adaptar o mais rápidamente possível às minhas novas exigências.
Sim, são corridas, preocupações, canseiras. Cansam sim, embora se corra por gosto. Mas... preciso disto, deste "desgaste" que me permite esquecer e ultrapassar dores, dores físicas e dores psicológicas.
Só assim, talvez, consiga encarar cada dia com um sorriso, com uma força diferente porque, no fundo, lá no fundo, são muitas as razões para não sorrir...
Diziam-me que quem corre por gosto não cansa. Ai cansa mesmo.
Mas sinto-me bem quando estou "assim cansado"...
Ontem foi Sexta-feira 13. Não me aconteceu nenhum azar para lá dos habituais, nem tão pouco me saiu o Euromilhões. Mas isso já tinham adivinhado.
Hoje, por sequência, hoje é dia 14. E é sábado...
Bem, e afinal o que tem a ver o dia 14 com o dia 13? Nada...
Mas hoje, dia 14, talvez seja o dia que marca mais uma volta na minha vida. Positiva ou negativa só daqui a três anos se poderá fazer um juízo correcto, após a avaliação das minhas capacidades e perseverança. Pois hoje, após uma reunião de três horas, onde se tentou avaliar as possibilidades do que será possível fazer, de acertar as funções de cada um, afinal fiquei com a sensação que virei uma nova página na minha vida e que poderei começar a escrever um novo capítulo.
Em tempos de crise, em tempos que mais exigem de cada um de nós, os tempos são de arregaçar mangas e conseguir a todo o custo, dar a volta por cima.
Entre os que precisam de apoio e os que podem dar apoio, eu situo-me nos dois lados. Preciso e estou lá. Luto por mim e por me manter à tona, válido, decidido a vencer sempre que possível. Mas, também, agora com capacidade e algum tempo livre, está na hora de ajudar quem precisa, da forma que eu seja mais útil.
Já lá vão uns dias. Fizeram-me o convite e aceitei o desafio sem sequer pensar.
Assinei hoje, dia 14. E, com a minha assinatura, garanti que os próximos três anos serão parcialmente dedicados a dar a minha participação em prol de um apoio a quem precisa. Sem horário fixo, sem férias, sem subsídios, sem ordenado ou qualquer regalia. Sem prisões, apenas ao sabor da nossa vontade e disponibilidade, sinto que estou a virar uma página da minha vida, a escrever novo capitulo, fazendo algo que me dá prazer e que sinto retorno naqueles que a nós se dirigem em procura de ajuda. Não sei se conseguirei levar até ao fim da forma que gostaria. Mas, darei o meu melhor possível.
Pedi força e coragem para conseguir levar a bom termo esse desafio. Espero consegui-las a cada momento que forem necessárias.
Notícia:
A S&P cortou o ‘rating’ de Portugal para uma notação considerada ‘lixo’
Solução prática a ser colocada em todos os ex-postos fronteiriços para evitar a degradação económica...

(Imagem retirada da internet)
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