Domingo, 13 de Maio de 2012
OFF...

A agitação das nossas vidas, os momentos que enfrentamos no dia a dia, as lutas que travamos, as mais das vezes inglórias, desgastam-nos, esgotam os nossos parcos recursos de energia. Por vezes sinto que nos falta algo. Algo simples mas que devíamos trazer de origem, incorporado, que pudessemos usar...

Estou a falar de um botão.

Um botão de "OFF".

Aquela diferença entre a nossa decisão e andarmos ao sabor da decisão daquilo que chamamos destino. 

Sim, por vezes desejava ter vindo equipado com um botão desses.

Que pudesse simplesmente...

 

 


...desligar!!!



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Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
Não, ainda não parti...

Decerto que pensariam que, dada a minha última ausência daqui, que já teria partido.

Não, não que seja por falta de vontade... mas não.

Apenas muito ocupado, por mais irónico que isso possa parecer, sem ter muito tempo livre para poder vir aqui e, as mais das vezes, já suficientemente cansado para a cabeça conseguir gerar alguma frase com sentido.

Voltarei assim que estiver a navegar em águas mais calmas o que não pode, para já, ser equacionado em termos de tempo.

Mesmo hoje, este post é "curtinho"...

Pois, não estranhem...

(imagem retirada da internet...)

 

 



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Sexta-feira, 4 de Maio de 2012
Bilhete... só de ida, por favor...

Passaram apenas uns dias mas parece que foi à uma eternidade. Na bagagem, o sempre indispensável computador, o telemóvel e roupa quente, apenas a suficiente para uns dias. A última imagem que ficou foi de um braço no ar fazendo um longo aceno de adeus e um sorriso aberto que escondia a ansiedade e o nervosismo, aquela lágrima reprimida.

Partiu. Sem sonhos mas com a noção da realidade. Partiu só com bilhete de ida que o de volta estava dependente de muita coisa. Partiu apenas com a ideia de conhecer novos mundos, sem nada pré definido, sem promessas ou algo concreto. Partiu apenas e levou com ele o que precisaria para as suas necessidades básicas. Claro que levava com ele algo importante, algo que adquirira ao longo de anos e muitas horas de trabalho: o saber e a qualificação para poder fazer.

À partida, um pouco desiludido com um passado recente, em que um envio de currículos, em quantidade apreciável, apenas lhe rendeu uns poucos nãos e a indiferença da maioria. Por isso nada como ir tirar umas férias, conhecer outros lugares e aproveitar para descansar. O resto, se viesse por arrasto, viria.

Passaram exactamente 14 dias. Contei-os um a um. E, em duas semanas muita coisa mudou. Aterrou numa grande capital e tomou um comboio que o levou a uma pequenina cidade de província, uma cidade pacata, de gente simpática mas, de tão pequena, em menos de três dias já lhe conhecia quase os cantos todos. Espreitou os cantos da casa, tirou as notas que queria, passeou e, decidiu bater às portas que lhe interessavam. Havia pouco mais de meia dúzia mas, bastaria. Falador fluente da língua nativa, não houve porta que se lhe fechasse.  Nenhuma recusou ouvi-lo e apenas uma disse “não” mas, com a delicadeza de não quererem ofender ninguém. Todos os restantes lhe pediram que deixasse o seu currículo e o contacto. E ele assim fez. Nos dias seguintes, distribuiu pelas casas o seu currículo, a carta de apresentação e um contacto telefónico que, entretanto se vira obrigado a arranjar lá da rede local. Esperou e não demorou muito que o telefone tocasse. Aparecia uma entidade com interesse em que ele fizesse uma demonstração das suas qualificações. Ficou contente pois não esperava que alguém lhe ligasse tão depressa. Mas ainda ele não se tinha bem refeito desse contacto e já o telefone tocava de novo. Outra entidade também estava interessada em que ele fosse a uma entrevista.

Estava confuso, ansioso e feliz, num misto de sentimentos.

Chegou a hora de mostrar o que valia. Num primeiro, foi gentilmente recebido. Perante a questão que lhe foi posta, de como era possível alguém trocar um país de sol maravilhoso e praias espectaculares por uma praia de pedras e onde só chove, ele respondeu com... um sorriso. Bem, complementou, que tinha ido com a ideia de passar uns dias com o irmão e, o resto dependeria do que lhe fosse aparecendo. Depois, o mesmo, gabou-lhe o currículo. Um excelente currículo, com muitas potencialidades, com habilitações a mais para aquele lugar. Deveria procurar algo melhor se quisesse chegar longe. Mas, iria conversar com a direcção e, depois, voltariam a conversar.

Mas não se depreenda que houve aqui alguma recusa. Não, apenas a lucidez de alguém que lhe indicou um caminho melhor. Aquele não seria o melhor para ele mas, não era razão para o excluir, pelo contrario.

Isto no horário da manhã que, no horário da tarde já tinha outra entrevista marcada. Lá apareceu e, também não sendo um lugar de grande futuro, gostou do tipo de equipa. Mostrou as suas credenciais e logo o convidaram, “se é que lhe era possível”, a ficar a trabalhar nessa noite. Aceitou e facilmente se integrou.

Depois de terminado o serviço, mandaram que se fosse preparar para sair. Depois que aparecesse no sábado, apenas, para falar com o gerente. No fim, quando já ia a sair, vieram perguntar-lhe se gostara de estar ali, se achara que era complicado. Ele sorriu e, habituado a locais que nem eram comparáveis, disse que gostara da equipa e que o trabalho até era simples.

Bem, até sábado... – disseram-lhe quando ia a sair – ah... ESTÁS CONTRATADO!!! Vem só no Sábado para o gerente te dar as papeladas que tens de tratar.

E saiu, rindo, contente, fora de si, incrédulo, pegando no telemóvel para dar a notícia em primeira mão a quem esperava por ela.... a 3000 quilómetros de distância.

-Aí.. nem sequer me disseram “não”. Ignoraram-me apenas. Aqui, quase me pediram desculpa por terem que dizer “não”.

-Aí, mandei dezenas de currículos. Aqui, entreguei meia dúzia. Aí, em dois meses, nem me ligaram. Aqui, em três dias, chamaram-me para prestar provas em dois locais. No mínimo, interessaram-se.

-Que hei-de dizer mais? Bilhete de volta?... Não vai ser tão depressa...

Como posso eu pedir-lhe que volte, que venha para onde não é respeitado, que venha para onde não querem saber da sua mais valia, dos seus conhecimentos. E, como ele, muitos haverá que partem apenas com o bilhete de ida na mão. E, muitos, muitos mesmo, não voltarão a comprar o bilhete de volta tão em breve. Não admira porque até a mim apetece ir ali comprar um bilhete. E garanto que não seria com volta incluída...



publicado por Someone às 00:00
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Quinta-feira, 3 de Maio de 2012
Declaração Universal dos Direitos Humanos

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

 

 

ARTIGO1.º

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

 

ARTIGO 2.º

Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.

 

................................................................. 

ARTIGO 25.º

  1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.
......................................................


publicado por Someone às 00:01
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Terça-feira, 1 de Maio de 2012
Pingo pouco doce...

Este é o espelho da realidade que passa em Portugal. A invasão dos supermercados da cadeia Pingo Doce, nesta campanha do dia 1º de Maio, demonstra bem das necessidades deste povo, afundado numa verdadeira crise económica. Pagar metade por bens essenciais não é de se perder em caso algum. Mas, sujeitar-se a horas em filas, a atropelos, a confusões tais, já só mesmo quem precisa se dará a esse trabalho. E são muitos os que precisam pelo que se pôde verificar nas imagens que nos chegaram pela televisão. Decerto que não vimos, naquela confusão, ministros nem secretários de estado. Nem tão pouco o PR que tanta apologia faz da sua desgraça com a sua pobre reforma. Vimos sim, muita gente, muita confusão, gente a encher carros de compras com bens essenciais, a tentar encher uma despensa que nos últimos tempos, em muita casa, se apresenta quase de prateleiras vazias.

 

(Imagem retirada da internet)

Não fui um dos que precisou de lá ir. Talvez por ser mais afortunado que muitos, talvez porque não me apetecia andar no meio de multidões, talvez porque quisesse respeitar o dia e o seu significado, hoje não foi dia de fazer compras.

Não quero entrar pela polémica da abertura dos estabelecimentos neste dia do trabalhador. Não quero alimentar polémica alguma. Apenas dizer de mim o que penso e que isto serviu apenas para tomar o pulso às necessidades presentes reais.

E, afinal, para dizer que isto já anda mesmo a conta-gotas, pingo a pingo. Mas, se a ideia partiu do Pingo Doce, já a realidade se mostra um pingo pouco doce, talvez mesmo muito amargo, já que toda esta situação foi criada e só se poderá atribuir a uns quantos que não têm nem tiveram, .... um pingo de vergonha.



publicado por Someone às 21:58
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Relembrar...

Há aquelas arrumações que se fazem de longe a longe. Retiram-se as velhas caixas que contém as recordações do passado. Surpreendemo-nos relembrando anos idos, momentos de felicidade e alegria ou, também de tristeza.

Mas há aqueles que toda a vida ficam na nossa memória. Escolhi dois momentos que ficaram para sempre.

O primeiro, a única memória fotográfica que tenho do meu bisavô. Comigo ao colo, no longínquo ano de 1962. Ainda viveu cerca de uma década e cheguei a correr com ele, serra acima, de mão dada. E ficou na memória aquele velho seco, de poucas palavras mas que tinha em acções para com o bisneto aquilo que não tinha em palavras. 

Depois, a escola. O marco importante na nossa vida, a entrada para a escola primária. Ali estou eu, em 1966, na minha primeira classe. A D. Beatriz, a professora que nos ensinou os primeiros passos no ensino, e os velhos colegas. Alguns ainda lembro o nome. A maioria, caiu no esquecimento. Apenas um ainda hoje continuo a encontrar e, outros, há muitos anos que deixei de os encontrar.

 

Mas, e porque aqui ficaram imortalizados na película fotográfica, podemos relembrar.

Relembrar sim, bons momentos, de preferência...



publicado por Someone às 01:07
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
Brevemente...

Novo mapa de Portugal...

Edição para breve.

Talvez entre 2013 e 2015...



publicado por Someone às 23:58
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Domingo, 22 de Abril de 2012
O vazio...

A casa mergulhou num vazio e o silêncio é a nota predominante. Entre as quatro paredes esta casa tinha uma vida constante com três gerações vivendo dentro dela. Mas, por vários motivos, encontra-se agora votada a albergar apenas uma das gerações, desabituada já de viver em semi isolamento. Os filhos partiram, por tempo indeterminado que pode ir de semanas a anos. A geração mais velha, por razões de saúde, ou de falta dela, também está temporáriamente ausente.


Ficou a geração do meio que sente o vazio dos quartos agora arrumados e fechados, que vive entre as visitas ao hospital, em idas e vindas sempre com o "coração nas mãos" e o conversar com os filhos, à noite, pelo telefone. As horas são diferentes a passar, parecem mais lentas. E até a "bichana" parece sentir esse vazio, pelo seu caminhar lento como que buscando algo pela casa para depois se vir prostar no chão da sala, a nossos pés.

Entreolhamo-nos. Questionamos se os filhos estarão bem. E desabituados de uma vivência apenas a dois, depois de uma vida a lutar diáriamente pelos filhos, tentamos reaprender a viver... a dois.



publicado por Someone às 23:39
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2012
A recompensa...

Por vezes pequenos actos mostram-nos o que na realidade representamos para os outros. 

Numa altura em que a moda do governo é "enxovalhar" quem trabalha, nada como recebermos um "louvor" daqueles para quem trabalhamos. Não se passou comigo mas, não me deixa indiferente. Se eu fosse professor gostava que os meus alunos mostrassem assim a sua dedicação e o reconhecimento do meu trabalho. 

O caso acontece em que a professora teve de ser sujeito a uma intervenção cirúrgica imediata. Os alunos, de uma das turmas, fazem-lhe chegar às mãos, via escola, uma "carta gigante", em tamanho "poster".

E, sem mais palavras, diga-se que, para a visada no "endereço", foi um prémio bem recebido, com muita história entre as aspas, a melhor das recompensas...



publicado por Someone às 18:15
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2012
Na hora da partida...

Em tempos que já lá vão, parece que passou uma eternidade, um partiu. De mochila às costas e mala na mão, sózinho, a caminho de um local que desconhecia, de gente que não conhecia.

Integrou-se, por lá se instalou e de lá fez o seu local de vida, pelo menos até encontrar outro poiso. Vem amiúde ao ninho maternal, onde temporáriamente se aninha.

Agora, partem dois, juntos.

E o ninho volta a ficar sufocantemente vazio. Vazio mas à espera do seu regresso. O quarto deles, agora vazio, guarda as recordações no mesmo local em que eles as deixaram, ali mesmo como se ali estivessem para que, no momento que regressem encontrem tudo como deixaram. Deixa de se ouvir outro barulho que o ronronar da gata e os nossos suspiros de saudade.

E, faço o balanço do que é uma vida. Começámos dois. Depois, três. Depois, quatro. Depois, oscilava por vezes, ora três, ora quatro. E, agora, de repente... dois!

Uma casa mais vazia onde parece que os ecos se tornam mais fortes. E, na hora da partida, tentamos ser fortes, apoiá-los, incentivá-los mas... o nó na garganta volta a estar lá, como há três anos... só que desta vez duplamente maior.

Então, e eu? Eu, que era para ir com eles, por razões imperiosas, tive de ficar por aqui... bem, por algum tempo.

Só algum, sem prazo marcado, mais uns dias, semanas ou até meses. Mas... as malas estão feitas, prontas. Só falta fechá-las...



publicado por Someone às 22:45
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